sábado, 10 de dezembro de 2011

Simbiose de amor.


E foi decretado. Proibido amar. Me ensinaram que temos que amar apenas um alguém de cada vez. E que este alguém tem de ser só meu. E eu tenho de ser só dele. Me proibiram de amar gente. Tenho que amar o sexo, e apenas o oposto. Mas não consigo mais olhar e não enxergar a essência das pessoas, e assim vivo me apaixonando. E as quero pra mim. Quero que façam parte de mim. Amo o mundo. Não posso mais ser feliz enquanto vejo que o amor da humanidade está esfriando. Tal flama iridescente se apagando pouco a pouco.
E quando tudo começou.. um átomo olhou para o outro e disse: quero que faça parte de mim, quero que sejamos um só. Mas os outros vendo que lindo arranjo de amor estava se formando, uniram-se em orquestra, numa melódia harmoniosamente vital, e em uníssono sibilaram em coro. Amaram-se e deram origem ao que futuramente seríamos nós. Simbiose de amor. E na escuridão nômade em que viviam, descobriram a reprodução. Seus corpos ignorantes em junção sem nem ao menos um por quê. Não sabiam o quê, mas algo gerava uma vida, um novo alguém. E descobriram o fogo. E foram para as cavernas. Fogo. Caverna. Sexo. Reprodução. E juntou-se tudo. O fogo na caverna permitiu que pela primeira vez ele olhasse para o rosto dela.  E inventou-se o amor. Mas não sabiam como dizer. E sem dizer amaram. Mas ainda não tinham inventado o ciúmes, muito menos a posse. E então ela pertencia a todos os homens do bando. Era difícil dividir. Não deram tempo pra que se aprendesse a amar simultaneamente. E veio o egoísmo. Foi preciso que cada um seguisse seu rumo, e vivesse sua vida, sem comunhão com muitos. Exploraram, conheceram novas terras. Descobriram novas e diferentes formas de se comunicar. Quiseram dominar tudo. Dominar um ao outro. Inventaram a guerra. Já que muito antes já tinham descoberto a morte. E foi designada castigo. E readequaram a forma de amar. Agora esta traria benefícios materiais. Os casamentos foram arranjados. Mas amar não era - e não é - assim tão organizado. Algumas vezes deu certo. Outras vezes gerou mais conflito, e guerra. Guerras internas. 
E deixaram a reprodução de lado. E não quisemos mais casamento arranjado. Vimos que amar por interesse não funciona. Exceto quando o interesse está no que há de mais profundo. No âmago. Exige admiração. Construção delicada. Tempo. Mas somente nós dois em redoma de vidro. Esquece o mundo e viva pra mim. 
E mais uma vez não funcionou. Eu me interesso por outro(s) ser(es) humano(s). Mas não deixo de te amar.
O amor é benigno e ilimitado. Amar só um, odiar muitos. Não somos assim. Eu não sou assim. E eu grito que amo. E você também pode amar. Não precisa ser do meu jeito. Mas ame, ame mesmo, ame muito. Ame muitos. 
Me ensinaram a amar de tal maneira que não me encaixava. E mudei, mas já nasci amando de tal forma. E mostrei como eu amava. Fui criticado. Mas aceitaram. E não quero que minha forma de amar machuque como vejo que muitos estão se machucando. Amar faz bem. Amor não completa, soma. Eu sou completo, você me acrescenta. Eu posso viver perfeitamente sem você. Mas eu não quero. Pura veleidade. E é assim que eu amo. Crie. Invente. Não prenda seu amor numa gaiola, não o proíba de cantar. Não coloque meu rosto no retrato que você desenhou, com todas as qualidades que você estipulou. Foi pra isso que inventaram a decepção.  Sussurre no meu ouvido como você gosta. Vamos descobrir isso juntos. Eu amo o você, que não sai nas fotos. Amo você no escuro. Não preciso de luz. Preciso de você. 

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