No topo, estrépito, topei com ela, tímida.
Sem tempo perder, por puro instinto extinto de amores tintos de amora rubro cobre,
sem fruto bruto,
placebo,
de boca que desabrocha em beijo.
Túmida, tu me dás um tapa?!
És tépida.
És típica.
Estúpida.
Tapada!
"Fui arquitetado hermeticamente no mais puro, carnal e pungente ato de amor. Feito para amar. Amo demais."
sábado, 30 de junho de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Quarto 6
Hoje quando acordei olhei pro lado
Vi que eu estava meio assim
todo desse jeito
mais que daquela vez
menos do que pensei
tão tal qual estou
e imaginei.
De chofre saltei pra dentro de mim
e percebi que não me cabia mais
E agora ando flutuando por aí
tão alto que nem me alcanço.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Invólucro d'alma d'um corpo oco,
de enfermo,
ocre.
Medíocre.
Roendo-lhe os ossos
em carne viva.
Exangue.
Lambe os dedos,
lânguido,
dentro de um mundo
fora de si.
Só
o pó
o pouco.
Um tanto quanto atento
ao relento.
Exilado
Rasgado
Olho por olho
Poro por poro
Todos
Por um
Por um mísero pedaço de vida
que lhe aqueça a alma,
se esqueça da palma estendida
que suplica
C'alma
C'alma seca amar a'marga à margem d'amalgamada vida.
Ida.
Que foi sem me dizer
Ond'ia
Ond'oia
Onde se perdeu de mim e se encontrou comigo.
Já frio e azedo
Estupido, insípido.
Com medo de naquela
leve, lívida e pálida
palma de sangue ralo
refletir-se
à sua transparência
a minha esquálida
aparência.
de enfermo,
ocre.
Medíocre.
Roendo-lhe os ossos
em carne viva.
Exangue.
Lambe os dedos,
lânguido,
dentro de um mundo
fora de si.
Só
o pó
o pouco.
Um tanto quanto atento
ao relento.
Exilado
Rasgado
Olho por olho
Poro por poro
Todos
Por um
Por um mísero pedaço de vida
que lhe aqueça a alma,
se esqueça da palma estendida
que suplica
C'alma
C'alma seca amar a'marga à margem d'amalgamada vida.
Ida.
Que foi sem me dizer
Ond'ia
Ond'oia
Onde se perdeu de mim e se encontrou comigo.
Já frio e azedo
Estupido, insípido.
Com medo de naquela
leve, lívida e pálida
palma de sangue ralo
refletir-se
à sua transparência
a minha esquálida
aparência.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Mãos ao alto
Em pranto o preto
Diante do prato de prata
Vazio
Desde antes
Do embrolho pretérito.
Com o estômago embrulhado
De azia
Fazia-se de embromado.
Sentiu-se humilhado, por em ruínas ter rogado
Tão pouco, portanto,
Ao homem cujo portento
Sob um pretexto infante
Tratou-o com desdém, desd'antes.
E este com tanta revolta, diz "obrigado"
Mas num instante volta e vê-se obrigado
À feri-lo no meio da testa,
Enquanto em volta
Todos se abaixam com o barulho daquilo.
Um tiro.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
No travesseiro escondo
Em meio aos meus escombros.
Reviro as gavetas e encontro.
Sonhos, medos.
Travessos.
Tropeço no ar.
E peço, tonitruante e humilde.
Que pelos póros penetre, preencha o vazio, as lacunas deixadas.
E eu possa ser. De novo.
Desprendido de mim.
De mim aprendido.
Continuo contigo contíguo.
Confio e sigo, sem tê-lo comigo, e logo, consigo.
Sob o universo, imerso. Estou.
Reflexo baço inverso. Avesso.
Transverso na espiral de meus pensamentos disformes
Ter poder de pedir, perdido, à podre pedra perecer.
E vais ser.
Esvaecer.
domingo, 29 de abril de 2012
Sair incólume
Só vai mudar quando não mais meu querer pedir teu abraço
E nem ao menos desejar sentir teu suor em meu corpo cru
Que crê na criação do cruor cruel
Que como criança me ponho a coser
A cratera de meu coração crispado.
Sob meus crespos cabelos enroscados.
Então crente,
Peço que de mim tira
Todas as mentiras,
Que só,
Ouvi só
Aquilo que houve só,
Sob a tampa de meus só... risos.
Só vai mudar quando não mais meu querer pedir teu abraço
E nem ao menos desejar sentir teu suor em meu corpo cru
Que crê na criação do cruor cruel
Que como criança me ponho a coser
A cratera de meu coração crispado.
Sob meus crespos cabelos enroscados.
Então crente,
Peço que de mim tira
Todas as mentiras,
Que só,
Ouvi só
Aquilo que houve só,
Sob a tampa de meus só... risos.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Até a última batida
Sinto-me fracamente exausto em ser, demasiado humano. E se o que vejo é denominado humano, digo-vos e afirmo não conhecer o que sou. O que me tornei.
Quando o conheci era um imaturo. Hoje sou um imaturo um pouco mais senil. Menos pueril que outrora.
Quando iludido pela torpeza da paixão disse que o amaria até a última batida, estava inconscientemente com razão.
Neste momento sinto falta dos seus dedos enroscando-se nos meus cabelos. Sinto falta do amor. Sinto falta de amar. Mas vejo que me tornei menos egoísta. Sofro por causas maiores. Por aqueles que desta chuva que peremptoriamente tenta me adormecer, ninar, podem sequer abrigar-se. Pelos que o vazio de meu coração se assemelha ao vazio retumbante de seus estômagos. Se me atormenta a reminiscência de alguém que jamais me pertenceu, outros atordoam-se pela perene presença que permanece apenas na memória.
Era pra ser mais um dia do resto de nossas vidas.
Ainda ouço o som da porta do seu carro batendo. Logo em seguida, a porta do meu quarto abrindo-se e fechando com tamanha estupidez que faz trepidar a luz envelhecida. A voz de Amy Whinehouse vem me acalmar com "Wake up alone". Exatamente como eu vou acordar amanhã. E amanhã, e amanhã. Até que não seja mais amanhã. Seu cheiro no meu travesseiro inebria e me embala em sonho que não exige exegese.
Não haverá mais a minha voz exageradamente alta em seu ouvido.
Não haverá mais eu indômito a bater a porta do seu carro.
E nem a aceitação de mais um de seus pedidos de desculpas.
Não haverá mais o sexo de reconciliação que você tanto gosta.
Não verei mais seus lábios ofegantes me dizer que sabia que eu ia voltar, já que eu sempre o perdoo.
Não haverá mais atrasos meus devido o sexo pós-reconciliação que eu tanto gosto. Não haverá mais ciúmes, eu prometo, não haverá.
Porque você não tinha de acelerar indiscriminadamente as coisas. Deveria ter saído daquele maldito carro, batido na minha porta, quebrado minha janela e dormido ao meu lado. E no meio da noite, me abraçado, e ao pé-de-orelha pedir desculpas, e me virar. E assim que eu ameaçasse dizer qualquer tolice, tapasse a minha boca e a conduzisse para onde nós dois sabíamos que seria mais útil.
Mas você resolveu desenfreadamente ultrapassar cada sinal vermelho à sua frente. Até encontrar...
Até que o som da porta do seu carro batendo se acelerou de tal forma aos meus ouvidos, que se tornou o batimento cardíaco do que até então regia seu corpo. Cessou.
Com minhas mãos no seu rosto gélido, as lágrimas secam com a ágil velocidade da promessa cumprida, de que o amaria até a última batida.
Foi a última vez que eu bati a porta do seu carro.
A última vez que o ouvi bater à minha porta.
A última vez que você bateu o carro.
A última vez que seu coração bateu, e que o meu bateu por ti.
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